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A origem da tradição dos mandingas (um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental, com uma população estimada em 11 milhões) em São Vicente é, ainda hoje, objeto de estudo.
Segundo o investigador cabo-verdiano Moacyr Rodrigues, a explicação poderá estar na chegada de uma comitiva de bailarinos, vindos das verdejantes ilhas do arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, que aqui terá desembarcado, em 1940, durante a viagem que os conduziria a Lisboa, para a Exposição Mundial do Mundo Português. O espetáculo dado por estes bailarinos impressionou de tal forma os mindelenses que, logo no carnaval seguinte, havia grupos a imitarem as suas danças.
Um dos mais entusiastas terá sido Capote, uma figura popular, entusiasta de festas e folias que terá criado a personagem Rei de Mandinga de São Vicente: de aspeto estranho, um pouco assustador, semi-nu, corpo pintado de preto, de saias, coberto de colares, penas, conchas e pedaços de ossos.
Se, inicialmente, a figura do mandinga ficou colada, pela sua simplicidade, aos bairros mais pobres e humildes, os mandingas de hoje arrastam consigo milhares de pessoas, representam um dos maiores atrativos do turístico carnaval do Mindelo e, sobretudo, afirmam-se como um símbolo que permite quebrar, ainda que temporariamente, as barreiras do preconceito social e da discriminação.
Parafraseando o escritor Graciliano Ramos, se a única certeza do homem é a morte, a única certeza do mandinga é o carnaval do próximo ano. Que comece o deste ano!