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Licenciada em Marketing e Publicidade pelo IADE (Instituto de Arte, Design e Empresa), Isabel Zambujal foi copywriter em várias agências, tendo trabalhado durante alguns anos na área da publicidade.
Em 2001, decidiu aliar o gosto pela escrita (que parece ter herdado do pai, o conceituado jornalista e escritor Mário Zambujal) à paixão pelas crianças e pelo universo infantil. O resultado foi a coleção “Saltinhos…”, quatro títulos sobre as cidades de Lisboa, Porto, Madrid e Paris, já com várias edições e traduzidos para inglês, e que desde logo integraram o Plano Nacional de Leitura.
Entrevista a Isabel Zambujal para o Jornal “Luso.eu”
Luso.eu- Como é que a literatura para crianças entrou na sua vida?
Isabel Zambujal - Durante muitos anos trabalhei como criativa, na função de redatora publicitária, nas grandes agências de publicidade. No ano de 2000, um grande cliente pediu-me para escrever quatro livros para crianças com o objetivo de promover uma sobremesa. Nunca mais parei!
Luso.eu - Existe uma fórmula mágica na escrita para crianças? Ou seja, há temas ou formas de escrever que obtêm sempre sucesso junto dos leitores mais jovens, ou a reação dos leitores é sempre mais ou menos imprevisível?
Isabel Zambujal - Penso que as crianças gostam de ser surpreendidas. Elas são muito imaginativas e nós temos de tentar ir ainda mais além. O humor também costuma ser muito bem recebido por gente de palmo e meio.
Luso.eu - O exemplo do seu pai e o convívio com os livros foi determinante na sua formação como escritora? Escrever é uma questão de ADN?
Isabel Zambujal - Não, é uma questão de trabalho. Sem trabalho não há ADN que nos salve, mas claro que ajuda ter crescido num ambiente onde a escrita e as palavras são valorizadas.
Luso.eu - A memória / as memórias são muito importantes nas suas histórias. A sua escrita vive mais da(s) memória(s) ou da imaginação?
Isabel Zambujal - Não sou saudosista, mas gosto de memórias. Escrevi o livro “O Pai Natal que Não Comia Queijo – O Pai Natal das Memórias” porque nos esquecemos muitas vezes de falarmos com as crianças sobre o seu passado, estando sempre preocupados com o seu futuro. Mas, mesmo assim, acho que a minha escrita vive mais da imaginação.
Luso.eu - A literatura infanto-juvenil deve ser didática?
Isabel Zambujal - Deve ser didática ou não, mas deve acima de tudo fazer as crianças gostarem de livros e contribuir para criar hábitos de leitura para toda a vida.
Luso.eu - É importante incentivar o riso nas crianças, ou acredita mais no provérbio “muito riso, pouco siso”?
Isabel Zambujal - Não, não, não subscrevo esse provérbio, prefiro a frase “rir é o melhor remédio”.
Luso.eu - Veio da publicidade para a literatura infantil. Já lhe aconteceu o inverso? Por exemplo, uma marca de detergentes que quisesse usar a sua “nódoa teimosa” para mostrar a sua eficácia?
Isabel Zambujal - Ainda não, mas é uma boa ideia.
Luso.eu-Visita muitas escolas, tem muito contactos com os jovens. Da sua experiência, como convivem hoje os jovens com o objeto livro?
Isabel Zambujal - Visito dezenas de escolas em cada ano letivo, contactando alunos do primeiro ciclo. Professores e bibliotecários fazem um excelente trabalho, organizando semanas da leitura, horas do conto, encontros com autores, concursos literários,.... Na adolescência é mais difícil o convívio com o objeto livro.
Luso.eu-As crianças olham muitas vezes para o escritor como um herói. Acha que o escritor tem, de facto, um super-poder?
Isabel Zambujal - As palavras é que podem ser poderosas. É preciso ter cuidado com o seu uso, principalmente com gente de palmo e meio que está a formar o seu carácter e a descobrir que há diferentes olhares sobre o mundo.
Luso.eu - Há perguntas que os jovens lhe fazem repetidamente?
Isabel Zambujal - De onde vem a inspiração é uma pergunta muito frequente.
Luso.eu - Que conselhos daria aos jovens que querem ser escritores?
Isabel Zambujal - Parar, olhar, escutar, ouvir. Ler e escrever. Escrever e ler. Ler e escrever.
Luso.eu - Que presente-memória gostaria de receber no próximo Natal?
Isabel Zambujal - Poderiam ser chocolates belgas para me transportarem para os dias felizes que passei nas escolas em Bruxelas, um convite da Coordenação do ensino português do Instituto Camões que nunca esquecerei.