
Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor!
No âmbito do programa da visita dos três amigos gastrónomos à região, decorreu ontem na Casa da Cuca, em Moreira de Lima, uma tertúlia sobre a Escola Prática de Agricultura de Ponte de Lima (1892 – 1909), que funcionou na Quinta das Cruzes, naquela freguesia.
Abriu as intervenções o anfitrião, Prof. Carlos Amorim, que relembrou tradições familiares e de anónimos, quando durante duas décadas foi Presidente da Junta, acerca das técnicas de podas de fruteiras, produção e vinho e mais ensinamentos pelo Director – fundador, o agrónomo Manuel do Carmo Rodrigues de Morais (1845 – 1909). O antigo Presidente da Cooperativa Agrícola do vale de Estorãos, recordou ainda a implantação da casta caínho de Moreira, ao que parece registada pelo agrónomo Rodrigues de Morais, tendo apresentado na sessão alguns livros da autoria desse nosso antepassado, como a Viticultura Prática Portuguesa, publicado em 1907 e reproduções dessa magnífica edição monumental O Portugal Vinícola, de Cincinato da Costa, lançado em 1900, no tocante ás castas. O investigador algarvio Tomás Pinto Bravo, chegado de Roma, em descanso das actividades lectivas de mestrando, realçou os estudos dos produtores da Casa da Cuca, e reintrodução da casta antiga por parte dos mesmos.
Seguiu-se no uso da palavra, Miguel Ayres de Campos –Tovar – proprietário da antiga sede daquele estabelecimento de formação agrícola, por herança de sua avó paterna, o qual felicitou Carlos Amorim pela guarda das raridades bibliográficas do célebre agrónomo, salientando que facultará cópia dum documento das castas plantadas na sua Casa Grande de Sá no ano de 1786. Uma voz proveniente de Arcos de Valdevez, mas com tronco limiano, o genealogista Guilherme de Vasconcelos, assinalou vinhos de renome na Ribeira Lima, de quintas antigas, e sua exportação já em tempos recuados. No mesmo tema participou o sargento João Barbosa, que recordou algumas notícias longínquas sobre vinhedos e exportações na sua freguesia da Gândara e circunvizinhas de Beiral e Gondufe.
Como conclusão, acordou-se voltar ao tema, com um encontro a assinalar a fundação em 4 de Setembro de 1892, do empreendimento particular e de frequência estudantil suportada pelo agrónomo, encerrando com a sua morte no já referido ano de 1909.
E, duas horas depois, encerramos mais uma actividade do Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, com uma prova de produtos regionais, locais, a começar pelo Loureiro da Casa da Cuca, duas vezes medalhado a ouro em concursos (2017 e 2021), os enchidos caseiros d ´A Loja da Pimentinha, em especial o paio do lombo do cachaço e a chouriça de carne; o já célebre Folar Limiano; o Pão de Ló tipo Margaride (Felgueiras), os quindins e doce branco da Havaneza; as boroas de milho da Doce Encontro e uns queijos de ovelha produzidos nas Beiras.