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Muitas vezes dou comigo a pensar que as coisas negativas me chamam mais a atenção que os acontecimentos positivos. Porque será que isto acontece? Porque é que os telejornais abrem sempre com as piores notícias, com o escândalo da eurodeputada Eva Kaili, as cheias em Lisboa ou as notícias de Putin?
Mesmo neste último exemplo, porque me sinto mais atraído por uma qualquer notícia de Vladimir Putin do que as mensagens de luta e esperança de Volodymyr Zelensky? Curiosamente os nomes “Vladimir” e “Volodymyr” parecem ter uma raiz comum.
Talvez porque as ameaças despertem as defesas. Porque o instinto de sobrevivência do homem tenha desenvolvido capacidades para reagir a esses estímulos negativos.
As palavras mais procuradas em 2022 no Google, e o ano ainda não terminou, foram “putin”, “bruno de carvalho”, “big brother famosos”, “eurodeputada eva kaili”, “marco orelhas”, “desmilitarização”, “genocídio” e nos momentos importantes da política nacional e internacional, foram pesquisadas as palavras “maioria absoluta”, “politização” ou “polarização”.
Por exemplo a respeito da eurodeputada grega Eva Kaili, pode ler-se nos resultados das pesquisas do Google: "Eurodeputada grega continuará detida. Audiência adiada para dia 22", "Escândalo no Parlamento Europeu. Eva Kaili diz-se “traída” pelos colegas", "Eurodeputada Eva Kaili vai ser ouvida em tribunal no dia 22", "Escândalo no Parlamento Europeu. Quem é Eva Kaili? E os outros intervenientes...".
Ora Eva Kaili passou a ser conhecida na Europa pelas piores razões, ainda que não tenha sido proferida a sentença final. Parece que os meios de comunicação social querem antecipar o seu destino apenas apara conquistarem audiências. E audiência cresce a bom ritmo.
Já o mediático ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho parece contrariar a regra, ou não. Talvez ganhe destaque pela necessidade da audiência querer explorar a vida alheia. Ficou ainda mais famoso quando participou no Big Brother ou foi filmado a passar música como DJ. O seu casamento com Liliana de Carvalho tornou-se badalado e as pesquisas e notícias continuam a surgir mesmo hoje: Liliana Almeida dedica canção a Bruno de Carvalho: "Chorei enquanto a escrevia", Após (enorme) conquista, Liliana Almeida recebe declaração de Bruno de Carvalho: “O grande dia chegou...", “Liliana Almeida vive momento especial com Bruno de Carvalho”, Bruno de Carvalho reage ao arquivamento de queixas: "Espero que tenham aprendido a lição".
Ainda falando em aspectos menos bons da vida, sempre que há um acidente nas estradas, outros podem suceder em seguida, porque a maioria dos carros param para ver o que se passa, se há feridos, se há feridos em estado grave, se já chegou a ambulância, se estão a fazer manobras de reabilitação.
Eu também tenho essa curiosidade mórbida, porque apenas quero olhar sem nada poder fazer, melhor dizendo e sendo ainda mais honesto, nada quero fazer porque tenho que ir à minha vida. Quero ver, mas não me incomodem. Como se estivesse a olhar para a TV.
Em bom rigor, a última vez que parei na autoestrada, vesti o colete refletor e chamei o apoio da autoestrada, foi quando vi um cão totalmente desorientado na berma da estrada. Estava com a língua de fora em sinal de ansiedade. Veja “Cadela perdida na auto-estrada”. Estava preocupado com o animal, mas sobretudo pelos acidentes que podia causar.
De facto, o ser humano dá-se ao negativo. Parece ser um fator ancestral, de defesa e de evolução da raça humana.
Queres saber porquê?
Quando alguém faz algo muito bem, ninguém dá o seu devido valor. Ninguém, ou poucos reconhecem o feito, ou ficam gratos.
Ainda recentemente foram feitos avanços na medicina, na luta contra o cancro. E então?
Conquistas feitas a partir de Portugal, de acordo com notícia da CNN: O que há de novo na luta contra o cancro: inovações made in Portugal e avanços mundiais. “Vai ser possível travar o aumento de mortes”.
Mas esta notícia devia ser celebrada com a maior gratidão e com reconhecimento do esforço de trabalho pela descoberta destas inovações e avanços mundiais. Os meus parabéns à ciência.
Quando faço o meu trabalho como esperado, muito bem, dizem: é o teu dever. Mas se falhar uma vírgula, é o descalabro, o fim do mundo. Sou rotulado de incompetente. Muitas das vezes até sinto vontade de estar quieto, nada fazer, porque assim, não corro o risco de ser escrutinado.
Porque é que reparo mais depressa nas características negativas de uma pessoa?
Quando tudo está bem, não há gratidão por mais um dia. Parece que tudo é devido e garantido.
A pandemia veio demonstrar a fragilidade e a incerteza da vida. As pessoas só estavam à espera que a pandemia terminasse – que maçada – para que tudo voltasse ao normal. Ao de antigamente.
Nada voltou ao normal. Tudo se modificou.
De facto, sinto que desenvolvi uma tendência para me deixar afetar pela critica, mais do que pelo elogio. Talvez esteja a expor a minha fragilidade.
A explicação é que eu tenho a tendência a dedicar mais tempo aquilo que falhou, talvez para que possa evoluir e melhorar. Os sentimentos negativos ficam gravados cá dentro.
Refletindo sobre tudo isto, decidi que a partir de hoje serei mais grato pela vida, mesmo que esteja a chover.
Irei desconsiderar os pensamentos negativos, que deixarão de ter lugar na minha cabeça. Deixarei de acreditar em notícias negativas, que muitas vezes são imprecisas ou mesmo falsas.
Aprendi também que o uso de palavras positivas conduzem a situações mais favoráveis.