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Entrevista já publicada aqui no Luso já há alguns anos. Vamos recordar?…
“É importante acreditar que a força da nossa cultura e da nossa língua nos permite ir mais longe...”
Ricardo Dias, Mário Laginha, Rui Veloso, António Victorino de Almeida, Janita Salomé, Vitorino, Amélia Muge, Car-os Bica, Sérgio Godinho e José Mário Branco são os responsáveis por músicas para palavras escritas, entre outros, por Fernando Pessoa, Manuel Alegre, Júlio Pomar e Carlos Tê. Eles são alguns dos músicos e poetas cujos universos de algum modo se cruzam com as preocupações de qualidade musical e poética de Cristina Branco. “
Cristina Branco nasceu em a 30 de Setembro de 1982. Começou a cantar em espectáculos aos onze anos de idade. Gravou o primeiro disco aos dezasseis e lançou recentemente o seu décimo disco. Chama-se “Kronos”. Está em digressão pelo estrangeiro a apresentar o seu novo trabalho e num intervalo acedeu falar connosco.
Manuel Araújo
Está em digressão pelo estrangeiro. Actua só para as nossas comunidades?
Cristina Branco - É óbvio que não, isso seria limita o espectro da nossa cultura e da nossa língua. A intenção é passar uma mensagem de orgulho e evolução relativamente ao nosso país e isso não se confina à comunidade portuguesa no estrangeiro, além do mais, desde o meu início, sempre direccionaram a minha carreira para as comunidades nativas de cada país, alargando assim a possibilidade a que muitas e cada vez mais pessoas ouçam a minha mensagem e que vão ao concerto para ouvir cantar a Cristina Branco.
Nos palcos internacionais, a nossa cultura que procura divulgar é bem recebida?
A sua pergunta é contraditória relativamente à primeira. E sim, a nossa cultura tem cada vez maior receptividade seja pelo Fado, seja pela universalidade da música que os transporta para outras paragens ou ainda pela grande qualidade dos artistas que se apresentam nesses palcos.
Qual a é a faixa etária do seu público? Há também jovens a assistir?
Não saberei dar-lhe uma amostra real do meu público, segundo sei varia bastante de país para país, mas posso dizer-lhe que a amostra está cada vez mais alargada, cada vez há mais jovens entre público assíduo e um crescente interesse em saber mais.
Em que se distinguem os seus espectáculos no estrangeiro e em Portugal?
Em absolutamente nada, apenas me dirijo ao público em português, enquanto noutros pontos do mundo o faço ora em Castelhano, ou inglês ou francês.
A tristeza e o sofrimento são uma constante do fado, que sempre fez parte da história do povo português. O fado é mesmo isso, concorda com esta afirmação?
De todo! Sempre disse que fado deve ser uma música que fala de um povo, de uma vida e a vida é feita de altos e baixos, tristezas sim, mas também muitas alegrias.
Qual a importância dos adereços no fado, tais como o vestido preto e o xaile? A imagem da fadista é importante?
Não lhes atribuo qualquer tipo de importância. Imagino que já me tenha visto (nem que seja na Internet para preparar esta entrevista), e eu não utilizo necessariamente vestido preto e NUNCA canto com xaile.
A sua editora foi sempre a EMARCY?
A minha editora chama-se Universal Classics francesa, dentro desta empresa (Universal) existem muitos “labels” como a Deutsch Gramophon, Decca, Emarcy, entre outros. O label que referiu e ao qual estou associada há seis anos, é um label de Jazz com a qual trabalho há seis anos. Os dois discos anteriores pertenceram também a uma editora francesa Harmonia Mundi, dentro do label L’empreinte Digitale. O primeiríssimo é uma edição de autor levada a cabo pelo Ciclo de cultura portuguesa na Holanda.
Quantos trabalhos já editou?
Dez até ao momento.
Tem um site na internet?
Pois… sim, esses são os novos instrumentos de trabalho da nova era. As pessoas e empresa que me agenciam consideram obrigatório utilizar este meio. É um bom instrumento de divulgação do trabalho. www.cristinabranco.coml
Este último trabalho dá pelo nome de “Kronos” e teve a participação de grandes nomes da música portuguesa tais como Jorge Palma, José Mário Branco, Rui Veloso, Amélia Muge e Carlos Tê entre outros.
Foi fácil convencê-los?
As pessoas foram convidadas pessoalmente, foi-lhes proposto um tema e posso dizer-lhe que foi aceite de imediato por todos.
Porquê “Kronos”?
O Deus do tempo. Uma simples proposta de levar os outros a reflectir sobre o Tempo. O que temos, o que passou e que fu-turo nos está reservado. Como ele se adequa e instala na nossa pele, como nos acompanha até ao fim. Tudo é possível, este tema permite quase tudo.
Em quase todas as actividades profissionais há rivalidades entre colegas de ofício. No seu caso também há?
Não me parece que seja saudável, a rivalidade, a competição. Apenas rivalizo comigo, em me surpreender, em testar os meus limites.
Quais são os seus gostos e géneros musicais? É só fado?
Raramente é fado. Jazz, MPB, Blues, Tango, Clássica, R&B.
Consegue eleger um nome de um grupo, ou artista nacional e outro internacional?
Vou tentar… Aretha Franklin, Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Janis Joplin, Joni Mitchel, Sarah Vaughan, John Coltrane, Barbara, Jacques Brel, Camané, Ana Mou-ra, Elis Regina, Chico Buarque, Marisa Monte…
Antes de entrar em palco está tranquila, ou tem algum ritual ou superstição?
Não, não estou tranquila, mas não sou supersticiosa. Se considerar correr para o wc a cada 2 minutos, então esse é o meu ritual.
Quando não anda em concertos como é que gosta de ocupar o seu tempo?
Tenho dois filhos, e são eles que me ocupam a vida, além disso, o tempo entre concertos, entrevistas, preparação de novos trabalhos é sempre apertado. Redefini todas as possibilidades de multiplicação matemáticas, e virei do avesso a paciência daqueles que trabalham comigo para poder ser Mãe e cantora.
E onde é que ainda não actuou e gostaria de ir?
Não canto e sacrifico a minha família, para pôr “alfinetes” no mapa, não sou desse género. Agradeço o trabalho, aclamação e respeito de públicos muito va-riados espalhados pelo mundo inteiro, desde há onze anos a esta parte.
Quer dirigir uma palavra às nossas Comunidades?
É importante acreditar que a força da nossa cultura e da nossa língua nos permite ir mais longe e induz o interesse e atenção de outras nações, bem como permitir uma maior abertura e respeito das mesmas relativamente às nossas comunidades. Não só pela nossa honestidade e competência (que já é tão conhecida), mas também pela nossa história, pela nossa riqueza de património, pelo nosso orgulho em ser português!