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Numa entrevista conduzida por Lode Delputte, Pilar del Rio falou do trabalho da Fundação José Saramago (sediada na Casa dos Bicos em Lisboa) a que preside e do papel da fundação enquanto lugar guardião das ideias e do pensamento crítico do autor.
“Somos uma Fundação que respeita a obra e a vida de José Saramago, o que significa que estamos atentos às vozes do mundo, à beleza que os homens podem produzir e à dor e ao isolamento que sofrem, e por isso cada dia tratamos de fazer com que o conceito de esperança seja algo mais que um vocábulo vazio e retórico”, explicou.
Falou também do romance “Alabardas, alabardas”, obra que José Saramago deixou inacabada, que só foi publicada postumamente (2014) e que agora foi traduzida para neerlandês por Harrie Lemmens.
Escrito numa altura em que já se encontrava gravemente doente, e com a consciência de que lhe restaria muito pouco tempo de vida, a prosa viva em nada denuncia o estado de fragilidade do seu autor. Antes nos revela um homem ainda e sempre preocupado com as questões éticas que, usando como argumento o complexo e áspero mundo da produção de armas, nos obriga a refletir sobre um mundo em que os homens se destroem uns aos outros: pode um trabalhador de uma empresa produtora de armas ser um cidadão exemplar ainda que cumpra todos os seus deveres e obrigações?
As ilustrações da obra são de Günter Grass, um escritor que também foi agraciado com o Nobel da Literatura em 1999.