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O matrimónio, enquanto modo de vida familiar, entendido na sua versão clássica – um homem, uma mulher –, tem vindo a atravessar diversas dificuldades que, numa percentagem significativa, mais de cinquenta por cento, em Portugal, encontra um desfecho, nem sempre pacífico, ao nível da respetiva dissolução.
O fenómeno, se assim se pode considerar, constitui um problema cujos reflexos, na vida das famílias nucleares tradicionais, são bem nítidos e complexos, principalmente, quando existem filhos para criar, educar e preparar para a vida.
Pretende-se, entretanto, e desde já, deixar bem claro que não se deseja defender um falso puritanismo, nem tão pouco uma convivência a dois sob o estigma da violência, da incompreensão, dos egoísmos individuais, enfim, sob a capa de uma aparente normalidade para o exterior e, internamente, no espaço privado e mais íntimo do casal, se cometerem as maiores atrocidades.
Iniciar, desenvolver, manter e consolidar uma vida matrimonial, entre um homem e uma mulher que, supostamente, e à partida, se amam, constitui, nos tempos modernos, uma tarefa verdadeiramente sábia, para a qual as pessoas parecem, cada vez menos preparadas.
Muitas são as alegadas causas para a dissolução do matrimónio, apresentadas por qualquer um dos cônjuges, cada um com suas razões, comprovadas ou não.
Acredita-se que também os esforços e tentativas de manutenção, e até de consolidação, se verifiquem, em quantidade e qualidade. Igualmente se compreende que determinadas atitudes e comportamentos conduzem a situações problemáticas, cuja solução drástica, passa pela separação do casal.
Constata-se, com relativa facilidade, uma grande impreparação de, pelo menos, uma das partes, para: por um lado, assumir todas as responsabilidades de uma vida a dois, com tudo o que ela comporta – alegrias/tristezas, riqueza/pobreza, saúde/doença, facilidades/dificuldades – e; por outro lado, não haver a força de vontade suficiente para abdicar de certos hábitos; partilhar a dois o que até então era usufruído por um; sacrificar certos prazeres, gostos e projetos, em favor da harmonia a dois, ou mais, quando há filhos.
O matrimónio, aqui também no conceito de casamento, constituição de família nuclear clássica ou tradicional – um homem, uma mulher, filhos –, revela-se como um percurso de vida a dois, depois a mais elementos, quando o casal procria com êxito, o que implica maior maturidade, prudência, sabedoria, valores e sentimentos genuinamente sinceros e solidamente interiorizados.
O matrimónio, fundado em situações meramente casuísticas, de conveniência, materiais e outros motivos supérfluos, é como construir um edifício em cima do lodo, sem alicerces assentes na firmeza do terreno sólido e bem estruturado.
Impõe-se a todas as pessoas que tencionam constituir-se em matrimónio, uma formação prévia, longamente preparada nos comportamentos, capacidades e valores essenciais, que consolidam a coesão do casamento: maturidade, prudência, amor, sabedoria, partilha, fidelidade, respeito, solidariedade, tolerância, compreensão, trabalho, economia, saúde, educação e religião.
Pelo menos estas características devem estar bem presentes em cada um dos cônjuges, sem prejuízo de outras que, igualmente, cada casal considere importantes para a sua situação específica, no limite, para a sua felicidade.