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Mariza, a voz maior da música portuguesa, interpreta canções de Amália, no seu novo álbum, tendo celebrado 20 anos de carreira, no ano em que Amália faria 100 anos de vida.
Mariza. Amália. Fado, no dia 21 de abril de 2022, no Palais des Beaux-Arts, Bruxelles.
Duas vozes de exceção. Duas carreiras fulgurantes. Em comum, o Fado, património eterno e universal da música mundial, ex-libris de Portugal. Mas também uma ligação indelével que transcende gavetas.
Quando Mariza partiu à conquista do mundo, arrebatou os públicos que, antes, só Amália tinha conseguido arrebatar. Quando Mariza começou a explorar outros caminhos contíguos ao Fado, fê-lo como, antes, só Amália o tinha conseguido. Quando Mariza se tornou na embaixadora da música portuguesa do século XXI, assumiu o manto que, antes, só Amália conseguira antes envergar no século XX.
Não é, por isso, surpresa que Mariza homenageie finalmente Amália por inteiro. Como só ela o pode fazer: habitando o reportório da mais lendária de todas as fadistas a seu modo, e trazendo-o para o século XXI sem lhe retirar alma nem identidade.
No seu 20º aniversário de carreira, no centenário do nascimento da Diva – "porque sinto que esta é a melhor forma de homenagear e agradecer todo o legado e inspiração que nos deixou" - Mariza revelou, finalmente, o projeto que há muito almejava: “Mariza Canta Amália”.
"Amália é uma inspiração maior, não só para mim, mas para tantos artistas portugueses e ainda muitos outros internacionais, assim como para todos os portugueses," explica Mariza. "Como diria o grande António Variações: «Todos nós temos Amália na voz»."
À guitarra e à viola, como é apanágio do fado, mas também com orquestra, como Amália provou ser possível, Mariza dá-nos a sua Amália. Com arranjos e direção de orquestra de Jaques Morelenbaum, cúmplice eterno de Caetano Veloso e Ryuichi Sakamoto, que reencontra Mariza 15 anos depois de lhe ter produzido “Transparente” (2005), “Mariza Canta Amália”.
Claro: Mariza sempre cantou Amália – logo no trabalho que a revelou, Fado em Mim (2001), já reinterpretava "Barco Negro" ou "Oiça Lá ó Senhor Vinho", e ao longo dos seus sete trabalhos de estúdio e três registos de concerto anteriores, várias vezes gravou reportório da Diva.
Mas esta é a primeira vez que Mariza dedica todo um álbum ao seu reportório. E, dos dez temas escalados para “Mariza Canta Amália”, apenas se abalançara anteriormente a um – "Barco Negro". Com os arranjos extraordinariamente líricos de Jaques Morelenbaum a permitir-lhe encontrar novos matizes, Mariza torna seus alguns dos maiores ex-libris de Amália: "Gaivota". "Estranha Forma de Vida". "Com que Voz". "Fado Português". "Povo que Lavas no Rio". "Foi Deus". Como nunca os ouvimos antes – e Mariza (re)cria-os como só Amália os soube (re)criar antes.
Gravado entre Lisboa e o Rio de Janeiro, “Mariza Canta Amália” é o feliz encontro entre um reportório inesgotável, uma voz imortal e um produtor de exceção. Um encontro que não vamos esquecer tão cedo.
Mariza, grande voz do fado, partilha a energia e a melancolia desta música penetrante, forte na sinceridade e rara musicalidade. A sua mistura de raízes portuguesas e moçambicanas confere às suas melodias subtis uma riqueza única. Desde a sua vitória no BBC Radio 3 Awards for World Music em 2003, a cantora alcançou fama mundial, atuando ao lado de artistas como Sting, Angélique Kidjo ou Peter Gabriel.
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