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Homoousios



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Ou a irritante tradição portuguesa de discutir o acessório e ignorar o essencial 

Há quase dois mil anos atrás, no início do cristianismo abundavam as doutrinas sobre como interpretar a figura e a palavra de Cristo. Estas discussões eram frequentemente acaloradas, e não poucas vezes terminavam em violências entre os apoiantes de cada lado. É nesta época que se começa a popularizar o termo herege, como insulto ao outro lado que se afasta da doutrina verdadeira. 

O meu conhecimento desta época é muito limitado, mas existe uma heresia em particular que eu penso ser relevante ainda nos dias de hoje. Trata-se da discussão em torno da natureza de Cristo, o homoousios vs homoiousios (*). Não vos vou maçar com os pormenores teológicos, apenas com a conclusão da história. Foi necessário o imperador Constantino promover um concílio em Niceia, para que os bispos se pusessem de acordo. Obviamente que parte dos crentes recusaram a solução encontrada, o que levou a mais trocas de insultos, violências e perseguições de parte a parte durante mais um par de séculos. 

Reparem que nesta história, a diferença entre os dois lados se resume a um pequenino i, homoousios vs homoiousios. Gastou-se uma enormidade de tempo a argumentar, a disputar e a lutar em torno de uma letrinha tão pequenina. Se pensam que isto é ridículo, certamente é porque não têm estado atentos ao que se passa em Portugal. Um país essencialmente estagnado desde o início do milénio, que ainda não recuperou da bancarrota de há uma década e cuja principal exportação de valor é a juventude para suprir as necessidades de mão-de-obra qualificada por essa Europa fora. 

Seria de esperar que o foco da discussão fosse em como inverter este estado calamitoso, e de trazer um pouco de esperança e rumo ao país. Mas não, andamos entretidos a discutir o acessório em vez do essencial. A greve dos professores é um bom exemplo. Ninguém com olhos de ver nega que os professores são mal pagos e têm um vínculo muito precário durante anos, na esperança de um dia poder vir a ganhar a lotaria de pertencer ao quadro de uma escola. Tudo isto em prejuízo da vida pessoal dos professores, mas sobretudo também dos alunos que dificilmente encontrarão professores motivados que os ajudem e os incentivem. E como os professores estão roucos de gritar, a situação não é de agora. Mas durante décadas ignorou-se porque o "sindicato" só fazia greve quando dava jeito ao PCP. Resultado, eventualmente alguns professores fartaram-se, radicalizaram-se e agora fazem greve de terra queimada. É inútil discutir que tem razão, porque é acessório. O fundamental é que o sistema está inquinado há anos a favor da incompetência, e mesmo que houvesse vontade política para o mudar não há dinheiro para pagar decentemente a professores competentes. Toda a gente percebe isto, mas como não há reformas sem os sacrifícios que ninguém quer fazer, aqui estamos a gritar e a berrar sobre coisas que não interessam nem ao menino Jesus.

E não me vou debruçar sobre os casos e casinhos do governo, porque também é acessório. O fundamental é que o PS chegou ao poder com dois propósitos, um primeiro que era de mantê-lo e um segundo, o de não mudar rigorosamente nada no país. Quem conhece a teoria da aversão à perda reconhece que esta é uma estratégia ganhadora num país envelhecido e cada vez mais pobre. Só que a lei do Tempo não perdoa, o mundo pula e avança e não se compadece de quem só quer é estar tranquilo no seu cantinho a roer um naco de broa em paz. Alegretes, mas cada vez mais pobretes. É por isso que hoje o governo parece uma barata tonta, a tentar desesperadamente remendar os furos de um barco condenado a afundar. E a oposição anda entretida a discutir alianças governamentais, quando paradoxalmente o governo tem uma confortável maioria absoluta.

E como é que vamos sair daqui ? Como sempre, ou a bem ou a mal. Em 1908 assassinou-se o rei Dom Carlos, o resultado lógico num regime que se comportava como se fosse uma república com um rei. Seguiu-se uma torrente de várias ditaduras instáveis, que desaguaram na relativa acalmia do Estado Novo. Que eventualmente, à força de nada querer mudar, lá acabou ela também no caixote de lixo das História. Agora, passados quarenta anos, encontramos-nos outra vez face ao mesmo dilema: o que mudar, para que tudo fique na mesma ? 

(*) Foi em resultado desta discussão que foi estabelecido o Credo, com o seu "Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial

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Nelson Gonçalves
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