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No Hospital S. Francisco Xavier em Lisboa, faleceu hoje, vítima de pneumonia dupla, a fadista Teresa de Jesus Pinto Coelho Telles da Silva Tarouca, com 77 anos de idade e quase metade preenchidos com a sua carreira artística.
A menina – prodígio do fado passou parte da sua infância e juventude em Torres Vedras e Ponte de Lima, onde a família possuía quintas de rendimento e recreio. Nesse último concelho, Teresa Tarouca veraneava na Casa do Espírito Santo, na Feitosa, ás portas da vila, comprada pelo avô José Gabriel Pinto Coelho (1886 – 1978), advogado, catedrático de Direito em Coimbra, Reitor da Universidade Clássica de Lisboa (1945-50), Presidente da Câmara Corporativa (1946-49); pela época das vindimas e das Feiras Novas, a família da fadista organizava naquele solar, serões e outros convívios, geralmente com um Arroz de Sarrabulho ou língua de vaca estufada com ervilhas á mesa, serviço entregue ao Restaurante Clara Penha, e animação a cargo da futura (famosa) diva de fado. Outras vezes, entre amigos, a sua voz também se fazia ouvir na confeitaria Havaneza, no centro da vila, ou na Casa do Outeiro, em Arcozelo…
O sucesso da principiante em terras torreenses e limianas não se fez esperar! Aos 13 anos estreia-se publicamente no salão dos Bombeiros Voluntários de Oeiras, celebra contrato com editora discográfica e seguem-se anos de actuações em Portugal, mas também nos Estados Unidos da América, Brasil, Bélgica, França, Dinamarca, Espanha e Macau. Várias foram as interpretações de Teresa Tarouca, com letra de Fernando Pessoa, Pedro Homem de Mello, Sophia de Mello Breyner e outros ícones da literatura nacional, destacando-se: Mulher Amor (acompanhada por António Chaínho), Testamento, Passeio à Mouraria, Meu Bergantim e Ora bate, bate.
Do curriculum da nossa biografada, elemquemos: Prémio Amália, pela sua carreira (2013), tendo participado na respectiva Gala, no Teatro S. Luiz, na capital e o da Imprensa (1964); condecoração com a comenda Infante D. Henrique nesse mesmo ano, pelo Presidente da República, depois de ter participado no Festival da Canção da RTP (1973) e selecionada para o álbum discográfico - Temas de Ouro da Música Portuguesa - (1992) da editora Polygram.
A finalizar, registemos que o apelido Tarouca que a fadista escolhera, era uma evocação dos bisavós Condes de Tarouca: Sebastião José Eduardo Pereira da Silva de Sousa e Menezes (1855-1934) e D. Eugénia Teles da Silva (falecida 1946).