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No Hospital de Santa Marta, Lisboa, faleceu anteontem um velho amigo, bibliófilo, tradutor e homem de elevada cultura – Carlos Miguel de Araújo de Abreu de Lima – com 90 anos de idade, completados no penúltimo dia do ano transacto.
Recordar um colecionador de livros do Alto Minho, principalmente do seu concelho natal, Viana do Castelo, e da ascendência materna, “ Ponte de Lima, raiz familiar, terra fecunda de amigos e familiares “ como escreveu o saudoso escritor António Manuel Couto Viana ao traçar-lhe o perfil biográfico no portal Ponte de Lima Cultural, do amigo José Pereira Fernandes, é justo, merecedor e oportuno neste momento.
Antes de findar a primeira metade do século passado, Miguel de Araújo, (nome que escolhera no decorrer da vida profissional), e família abandonam Viana e fixam-se na capital. O descendente da casa solarenga do Espírito Santo na Feitosa, Ponte de Lima, dos fidalgos Abreus Sousa Morim, a quem os negócios no Brasil de setecentos deu mais riqueza, matricula-se então no Liceu Camões, e posteriormente frequenta cursos de línguas em Espanha, França e Itália, ora suportados pela carteira de casa, ora apoiados como bolseiro da Fundação Gulbenkian ou ministérios desses países.
Em 1957 Miguel de Araújo ingressou nos quadros da RTP (Rádio Televisão Portuguesa) na realização de programas culturais, assumindo depois a Direcção de Programas, sendo saneado de tal cargo por ocasião do 25 de Abril. Quatro anos volvidos, o ilustre vianense é reintegrado na estação pública de TV, seguindo para a Direcção de Conteúdos e depois Marketing, “ umas coisas novas na RTP “, recordava-me assim essas nomeações seguintes, em algumas das suas conversas na Confeitaria Havaneza em Ponte de Lima, ou correspondência por carta ou bilhetes postais que reuni no meu arquivo.
Fiel ao ideal monárquico, bibliófilo e conhecedor de algumas raridades altominhotas, conversador emérito, amigo e gastrónomo, principalmente em Sarrabulhos e outras iguarias regionais, participou em dois Congressos de gastronomia em Viana do Castelo e Esposende, para além de outras jornadas de Bom Comer, baseadas nas obras de Eça, Camilo, ou Aquilino, pelo nosso Portugal.
O reconhecimento e a sua dedicação à Cultura, valeram a Miguel de Araújo distinções internacionais: Comendador da Ordem de Mérito Civil, de Espanha; Oficial do Cruzeiro do Sul, Brasil; Cavaleiro Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, Santa Sé; sócio do Colégio Brasileiro de Genealogia, Rio de Janeiro, além do Círculo Eça de Queirós, Instituto Português de Heráldica, Grémio Literário, Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Casa do Concelho de Ponte de Lima, Associação Portuguesa de Genealogia e Confraria dos Gastrónomos do Minho.