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Do Fundão, homenagem ao jornalismo e memórias de um passeio



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         A sociedade e a democracia precisam do publicismo. Do verdadeiro jornalismo, sério, independente, cujos profissionais dispõem de tempo e de meios para investigar (não faz falta aqueloutro que se cinge a praticar tiro aos pombos). Enquanto leio textos dos que o representam, noto que reforço o meu lastro cívico e reúno elementos para melhor opinar. Dou dois exemplos que mostram a importância do escrutínio probo levado a cabo por jornalistas. A morte de Ihor Homenyuk talvez tivesse passado sem culpas e sem castigo se não fosse o trabalho de Fernanda Câncio, Valentina Marcelino e Joana Gorjão Henriques. Em segundo lugar, lembro a difusão das ideias de António Almeida Costa que acabaram por impedir a sua cooptação para o Tribunal Constitucional. O autor tem craveira, mas a sua mundividência teria feito dele uma má escolha para essa judicatura.

         Numa praça do Fundão, vi, sob forma de escultura, uma homenagem a António Paulouro, fundador e antigo diretor do Jornal do Fundão. Este defendeu os interesses beirões e, enfrentando o Estado Novo, também a democracia, a liberdade e a cidadania. A título de exemplo, denunciou as condições de vida e trabalho dos mineiros da Panasqueira, alertou para os perigos do bócio endémico no distrito de Castelo Branco e, em 1965, ousou noticiar a atribuição do Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores a Luandino Vieira, opositor da ditadura e do salazarismo, então preso no Tarrafal. 

         Sirvam os parágrafos anteriores de tributo ao jornalismo livre e aos homens e mulheres que têm espinha dorsal.

         Em viagem, gosto de ler jornais da zona em que passeio. Comprei o Jornal do Fundão e devim laudator temporis acti, pois ele perdeu o espírito de causa e fulgores do passado. Nem sequer notei differentia specifica entre ele e os outros títulos que, na Beira Baixa, mereceram a minha atenção: o Reconquista, o Jornal de Belmonte e o Correio de Caria.

         Visitei o Fundão num domingo. Havia pouca gente na cidade, muitos dos seus habitantes tinham saído para almoço e jornada com familiares nas aldeias das cercanias. Segui o itinerário sugerido no posto de turismo, é dizer, caminhei no centro urbano e perto deste.

         Achei formoso — balsâmico, se é que tal se pode dizer de um edificado citadino — o rincão onde se encontra um jardim com fiadas de tílias, uma escola que foi alvo de bom trabalho de requalificação, a arte urbana da polaca NeSpoon, inspirada nas lérias da Póvoa de Atalaia (parece um rendilhado que cobre parte da fachada de uma casa), e ainda a Capela do Espírito Santo e a Capela do Calvário, ambas do século xvɪ e com adro alpendrado.

         Na capela‑mor da Igreja Matriz do Fundão, as paredes forradas de azulejos, o teto dividido em caixotões pintados com temas hagiográficos e o retábulo de talha dourada conjugam‑se em facultoso efeito. Outrossim, o revestimento azulejar do arco cruzeiro prende a atenção, nele estão representadas a Natividade, a Última Ceia e a Crucifixão de Jesus. Olhar para o coro alto, de madeira e com perfil contracurvado, significa observar um divertido jogo de cores: o castanho no guarda‑corpos, o azul‑claro com motivos dourados na base e, já nos vidros da parte superior do guarda‑vento, o rosa, o branco, o azul e o amarelo.

         A Moagem - Cidade do Engenho e das Artes acolhe eventos culturais e constitui o melhor espécime de traça moderna no Fundão. Confesso que não vejo nela rasgos de génio arquitetónico, nem sequer a considero bonita. Sei, contudo, que, em matéria de arquitetura, os meus juízos valem pouco e não são passíveis de generalização. Ali laborou uma empresa de moagem, apropriadamente localizada perto da estação ferroviária, e da história veio a informação que mais me interessou, reveladora de um país machista e atrasado: as mulheres que lá trabalhavam limitavam‑se a remendar sacos e a aquecer o pábulo dos operários.

         Almocei no Hermínia, restaurante com bom serviço e abilhamentos sem pormenor que valha a pena assinalar. Depois de uma sopa de nabiça — espessa e bem composta com nabiça, massa e cenoura —, pousou na mesa um prato regional, arroz de carqueja com enchidos (o arroz é cozinhado numa infusão de carqueja). Gostei dessa iguaria em que notei equilíbrio entre o paladar do arroz e o sabor dos enchidos. O arroz‑doce, divino, foi preparado de um jeito que o apartava de certo costume fundanense: confecioná‑lo sem ovos, mas com pudim de baunilha.

         Em Bruxelas presto tento aos que falam do seu trabalho no processo de feitura dos atos legislativos da União Europeia e que se preocupam com o possível malogro das negociações políticas. Ao invés, no Hermínia mergulhei em amenidades: um cliente disse que tencionava ajudar no desbaste de uma poldra e avisou que se aproximava a festa na qual tocaria concertina.

         Perto do Hermínia, fitei um condutor de baixa estatura que se apeava de um automóvel grande. Não era bonito de ver, assim como também me causa impressão avistar burgessos a guiar viaturas com bela linha italiana. Algumas pessoas deveriam recorrer a um personal shopper na hora de comprar carro.

         Ao contrário da Covilhã, o Fundão é cidade de visita maneira. O chão é plano e os principais pontos de interesse estão no centro ou nas suas proximidades.

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Paulo Pego
Author: Paulo PegoEmail: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
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