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Por terras de Lavos e de Paião



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            No concelho da Figueira da Foz, as freguesias da margem esquerda do Mondego satisfazem olho e estômago. Deixo aqui algumas linhas a propósito dos meus passeios em duas delas, Lavos e Paião.

            Em boa hora o município da Figueira da Foz comprou e reativou um conjunto de salinas existente em Lavos. Aí instalou o Núcleo Museológico do Sal, que compreende um espaço informativo, um armazém para guardar o ouro brancoe um percurso pedestre que permite observar a avifauna e os talhões do salgado.

            De Gilda, que lá trabalha e é marnoto de verdade, não de opereta, recebi uma ensaboadela acerca da exploração salineira no meu país e do processo de produção e de conservação do sal. Passei a valorizar o sal marinho produzido artesanalmente, fiquei a saber que a salicórnia e a gramata‑branca, plantas que brotam dos solos do núcleo museológico, têm muita procura por parte dos cozinheiros elevados à categoria de chef. Caminhei em trilhos ribeirinhos, avistei pirâmides de sal — uma delas num talhão que estadeava tons rosados — e, porquanto lá fui em várias estações do ano, observei aves diversas, por exemplo, pernilongos, garças‑brancas, garças‑reais, corricões, guinchos, chilretas e os sempre chamativos flamingos. Tampouco faltaram os tartaralhões, que são aves de rapina.

            Almocei perto dali, n’O Grazina. E, embora isso me custe, não o posso abonar.  A garrafeira é razoável, a lista das entradas é curta. A broa e o patê de atum deixaram o travor da feitura industrial. Lamentei‑o, sobretudo quanto ao pão de milho. Rol aceitável de pratos de carne e de peixe e, como especialidades da casa, caldeirada de enguias com ensopado e enguias fritas com ou sem batata frita. Pedi eirós com batatas fritas. Sápidas, é certo, mas o que as alçava a bom nível era o sabor intenso do molho de escabeche. Bebi um vinho regional alentejano (Monte das Servas, tinto, de 2020) que, como é de meu particular agrado, tinha retrogosto longo. Não é dos melhores vinhos para acompanhar as enguias, mas eu quase não bebo vinho branco. Pauta de sobremesas atraente no papel, limitada na ocasião. Escolhi pudim de ananás: a textura e o aspeto eram prometedores, o paladar revelou‑se insípido. O maior dos males foi, porém, a demora no serviço, esperei mais de uma hora pelas enguias.

            Confrontei os responsáveis pelo estaminé com o número insuficiente de empregados que aviava os fregueses. Disseram‑me que havia falta de pessoal, que era difícil conseguir mão de obra para a restauração. Isso já eu sabia. O trabalho no setor é duro, impera o salário baixo e a jornada de duração indecorosa. Muitos dos que nele laboravam antes da crise pandémica foram descartados e empregaram‑se noutras áreas que propiciam melhor equilíbrio entre a vida pessoal e a lida profissional. Acresce que parte dos patrões planificou mal as atividades do período pós‑pandémico, marcado por significativo afluxo de clientes. É tempo de pagar melhor a quem trabalha e de encarar o assalariado não como um instrumento ao serviço do prospeto de lucro, mas como um humano que aspira a viver digno. Assim se arranjará quem trabalhe.

            A Igreja Paroquial de Lavos, devotada a Nossa Senhora da Conceição, alardeia interior com interesse. O visitante entra e logo levanta o olhar, pois o teto da nave está dividido em caixotões bem decorados. Só o central é figurativo, mostra uma pintura do orago. Quanto ao resto do templo, menção ao quadro de Pascoal Parente que representa a padroeira e, na Capela da Confraria do Santíssimo Sacramento, à escultura policroma da Trindade (a figura do Filho encontra‑se descabeçada).

            Pleno de energia, um grupo de jovens entoava cânticos. Admirei o seu empenho, acho que só o manterão se a Igreja tiver artes para se ajustar ao tempo moderno, informal e cheio de solicitações, e para lidar de maneira firme com pedófilos e abusadores sexuais que mancham o seu nome e que, de algum modo, traem os que a servem e se movem por autêntico amor a Deus e aos humanos. Discurso fácil, de obviedades? Será, mas tanto algumas posições da Igreja Católica — por exemplo, a propósito dos temas fraturantes —, como o jeito tíbio de ela lidar com os pederastas que verminam no seu regaço aniquilam a ilusão religiosa de muito crente e denotam falta de empatia em relação ao próximo.

            Em Paião, vila perto de Lavos, o ofício de alfaiate tem subidos pergaminhos. Numa das suas praças, prepondera uma escultura que o honra. No entanto, eu não fui ao Paião para que me fizessem fatos, antes para almoçar n’O Peleiro, de portas abertas no local onde operou uma alcaçaria. O restaurante sucedeu a uma tasca que havia na fábrica.

            Da ementa constam acepipes, salada mista, pratos de carne e de peixe, pratos do dia e especialidades da casa, a saber, sopa da pedra, sopa de legumes, bacalhau conventual, bacalhau grelhado, polvo à lagareiro e distintas espetadas. A relação de pratos do dia inclui cabrito assado no forno e feijoada de sames. Mediante encomenda, também preparam arroz de lampreia. A casa é reputada, a fama da sopa da pedra e do chibo assado transpôs fronteiras.

            Quando ali fui pela primeira vez, com a Jūratė, não tomei notas, mas lembro‑me de com ela haver dimidiado uma dose de cabrito credora de lauréis em barda. Voltei lá sozinho. Comi uma sopa da pedra que levou os condimentos adequados. Por abundarem os enchidos, o seu sabor ganhou prevalência. Seguiu‑se uma espetada de porco ibérico própria de festim cesáreo. Saborosa, revelou o mais certo dos equilíbrios entre o paladar da carne e o do tempero. O arroz, as batatas fritas, as batatas a murro e a couve deram conta do recado. Os tassalhos de broa de milho fritos em azeite e alho enriqueceram o conjunto, a sua presença não foi vã. Ataquei a sobremesa que mais tradição tem n’O Peleiro, o doce de café — fresco, húmido, um mimo. Da carta de vinhos de longo alcance elegi o Duas Quintas (tinto, de 2017), pinga encorpada, aveludada, com notas de frutos vermelhos. O atendimento roçou a excelência.

            A clientela era heterogénea e compreendia novos e velhos, senhoras que donaireavam e criaturas parolas, mulheres gaiatas em almoço de confraternização, homens de negócios com arranjos casual chic e casais cujos membros, depois de décadas de vida em comum, nada tinham a dizer ao consorte.

            Desloquei‑me a Seiça, ainda na freguesia de Paião, para ver a capela e as ruínas do Mosteiro de Nossa Senhora de Seiça. No século xɪɪ, D. Sancho I doou‑o à Ordem de Cister. O complexo em que se inseria teve papel de relevo no ordenamento sociogeográfico das terras do estuário do Mondego.

            O mosteiro teve história recheada de vicissitudes, nele chegou a operar uma fábrica de descasque de arroz, hoje está em vias de requalificação. A capela, erguida no século xvɪɪ e restaurada com desvelo, exibe bom parecer. Tem planta centralizada, formato octogonal e alpendre a toda a volta. Como é caraterístico de uma capela de peregrinação, está disposta de modo a que os romeiros, no exterior, possam participar no culto. Através das aberturas feitas nas portadas das janelas, consegui espreitar a escultura que representa a padroeira, alguma azulejaria e fragmentos das pinturas do século xvɪɪɪ que ali se encontram.

 

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Paulo Pego
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